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"Substituto de Ganso" no São Paulo, Jean Carlos quase infartou mãe e hoje mira história no Náutico

12/06/2019 16:21 Mãe do meia teve princípio de infarto quando filho decidiu sair de casa para jogar, aos 14 anos, em Marília-SP; hoje, após anos difíceis, Jean espera marcar nome no Timbu. "Substituto de Ganso" no São Paulo, Jean Carlos quase infartou mãe e hoje mira história no Náutico

Jean Carlos tinha apenas 14 anos quando deu os primeiros passos no futebol. Ainda garoto, foi convidado para jogar na base do Marília, cuja sede fica a mais de 200 km de Cornélio Procópio, terra natal. A distância quase foi demais para sua mãe. Poucos dias depois de sua partida, dona Claudineia passou mal. Teve de ser socorrida às pressas. O diagnóstico? Um princípio de infarto, que família e amigos atribuíram à preocupação com a ausência do filho. Passado o susto, ela resistiu firme. Viu Jean crescer e fazer uma porção de coisas no mundo da bola: subir aos profissionais no Palmeiras, revelado por Felipão, jogar nos dois times de Goiás, chegar ao São Paulo com status de "substituto de Ganso" e acertar com o Náutico - onde recuperou a carreira e pelo qual planeja confirmar uma história que se anuncia promissora, com título nacional e carinho do torcedor.

Para chegar até o Timbu, como se vê, Jean teve de percorrer um caminho longo - com curvas, retornos e percalços. Desde os primeiros passos.

Início no Marília e olhar de Felipão

Natural de uma cidade pequena no interior do Paraná, Jean não precisou de muito tempo para expandir fronteiras. Destaque nas peladas com os conterrâneos, chamou atenção do Marília-SP ainda moleque. A forma como ele despertou o interesse da equipe é que foi inusitado.

- Tinha um rapaz lá na minha cidade que gostava muito de futebol. Ele pegava a gente, levava para jogar, fazia vídeo. Mandaram um vídeo meu para o Marília, que se interessou e me chamou para um campeonatinho lá, uma espécie de teste.

Do alto de seus 14 anos, Jean mostrou o que hoje chama atenção no torcedor do Náutico: personalidade. Em um cidade distante, muito jovem, não se intimidou. Jogou bola. Se ele foi bem no campeonato?

- Em cinco jogos, fiz 10 gols - revela.

Com uma performance tão boa, não havia alternativa ao Marília se não tentar manter o garoto - que ficou por três anos vivendo as dificuldades naturais a um atleta de base: alimentação nem sempre adequada, dormitórios embaixo de arquibancadas e distância da família.

Não foi no Marília, no entanto, que Jean se profissionalizou. A primeira chance no time de cima foi numa camisa mais pesada - a do Palmeiras - e promovida por um dos maiores treinadores do Brasil: Luiz Felipe Scolari, que farejou talento num garoto que, em 2010, tinha 18 anos.

- Pouco depois de chegar, comecei a me destacar nos campeonatos, fazendo gols, dando assistências. Fui fazer um treino no profissional num dia de meio de semana. Felipão gostou e, no final de semana, já viajei para o jogo (contra o Atlético-GO). Fiz três jogos no Brasileiro - afirma.

Sucesso meteórico no Vila Nova e chance no São Paulo

Ainda não seria no Palmeiras que Jean se destacaria no futebol. Depois do início promissor, o meia teve poucas chances em um time que vivia situação complicada. Foi negociado com o São Bernardo. A maior virada na carreira, contudo, se deu apenas seis anos mais tarde, em 2016. Para isso, bastaram-lhe três meses no Vila Nova.

- Foi pouco tempo lá, fiquei três meses só no Vila, mas fiz um excelente início de Série B. Foi aí que o São Paulo foi atrás de mim.

No Tricolor Paulista, Jean Carlos chegou sob holofotes. Não era um reforço para uma posição qualquer. Ele vinha para solucionar um problema. Seria o "substituto de Ganso", que fizera sucesso no clube.

Na apresentação, não fugiu da responsabilidade e garantiu que, sim, poderia ser o "10 armador" que o time precisava.

- Cheguei com expectativa alta. O Ganso tinha ido embora. Só que cheguei machucado. Eles não quiseram esperar acabar o tratamento. Me levaram. Fiquei um mês no departamento médico me tratando e só fiquei completamente recuperado no final da competição.

Naquela Série A, Jean jogou só três vezes. O ano seguinte, 2017, poderia-lhe trazer novas chances - mas os planos dele não coincidiram com os de Rogério Ceni, sucessor de Ricardo Gomes, técnico que havia pedido sua contratação.

"Ele foi bem claro comigo: "Eu não sei se vou te utilizar na Florida Cup". Aí falei: "Rogério, então prefiro sair. Não vou ficar aqui só por ser o São Paulo. Prefiro sair para jogar".

Momentos difíceis

Jean Carlos não credita o insucesso no São Paulo e nos clubes seguintes em que jogou meramente ao acaso ou a outras pessoas. Ele admite que a maior parcela da responsabilidade repousa sobre os próprios ombos.

- Há muito tempo, eu não era de religião, nem nada. Isso me atrapalhou muito. Nunca dei muito valor a isso nos lugares em que passei, acho que até por isso não permaneci. Desde que me converti e comecei a mudar as coisas na minha carreira, deu resultado. Para a gente que é jogador, as coisas aparecem muito fácil, questão de bebida, noite e tudo. Mas eu decidi largar.

A esposa teve papel importante, afirma Jean. Mostrou-lhe um caminho espiritual para ele retomar o foco na profissão. Após passar sem brilho por Goiás, Coritiba, Novorizontino e Mirassol, Jean renasceu para o futebol com uma certa camisa vermelha e branca.

Ressurgimento no Náutico

Quando acertou com o Náutico, Jean estava havia mais de dois meses sem jogar. O currículo inspirava esperança e receio em igual medida no torcedor. Que meia chegaria: o que jogou bola a ponto de chegar ao São Paulo ou aquele que, a partir daí, não conseguiu mais firmar-se em clube algum?

A resposta foi dentro de campo. Em 11 jogos, marcou dois gols: um golaço contra o Santa Cruz e o mais importante do ano, no mata-mata contra o Paysandu, que levou o Náutico ao acesso à Série C. Mais do que números, porém, o meia conquistou o respeito do torcedor. Acesso. Título.

E renasceu para o futebol.

"Decidi largar as coisas que fazia. Pensei: 'Estou novo ainda e dá tempo de, como foi aqui no Náutico, voltar para o futebol'. Acredito que foi isso que aconteceu."

Um das referências técnicas do time, titular e de contrato renovado por dois anos. Jean não quer ficar na memória do torcedor apenas pelo acesso Série B e título na Série C deste ano. O jogador planeja tornar-se figura central em novas conquistas. A ponto de - por que não? - virar ídolo no clube.

- É legal ter o carinho da torcida. Quem não gosta? Aqui eu senti o que sentia no Vila Nova em 2016, o carinho da torcida, comissão, diretoria. Foi o que me motivou a ficar. Já marcamos o nome na história, mas espero poder marcar ainda mais.

 

 

 

Fonte: rotadosertao.com / Com informações de Rômulo Alcoforado / GloboEsporte

Crédito Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Tags: Substituto ,Ganso, São Paulo, Jean Carlos , mãe , história ,Náutico
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