Feliz e frustrado: ainda sem contrato, Marrelli sonha com título pelo Vitória | Rota do Sertão

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Feliz e frustrado: ainda sem contrato, Marrelli sonha com título pelo Vitória

19/05/2017 16:35 Em entrevista, Régis Marrelli revela surpresa com ótima campanha da equipe no NBB, mas se diz incomodado com derrota nas semifinais para o Paulistano. Feliz e frustrado: ainda sem contrato, Marrelli sonha com título pelo Vitória

Régis Marrelli é um homem dividido entre a satisfação pela campanha surpreendente do Universo/Vitória no NBB e a frustração por não conseguir chegar às finais da competição. As três derrotas para o Paulistano nas semifinais colocaram ponto final em um sonho que, se no começo da temporada parecia distante, improvável, foi se tornando palpável à medida que a equipe colecionava triunfos na temporada regular e na fase de playoffs. Uma rápida correção: no que depender do treinador, não é um ponto final, mas, sim, um ponto de seguimento. A jornada continua. E ele tem grandes planos para o futuro.

A campanha do Vitória é surpreendente, principalmente se analisarmos como a equipe foi formada na temporada passada, às pressas, pouquíssimo tempo antes da estreia no NBB. Quando Régis Marrelli chegou a Salvador, faltavam 17 dias para o início do torneio e não havia academia, uniforme nem preparador físico. A equipe não fez qualquer amistoso, e ele não participou do processo de contratação dos atletas. Após uma campanha cambaleante, o time se classificou para os playoffs, mas caiu para o Mogi nas oitavas após perder três partidas.

 Depois de um primeiro ano conturbado, Régis Marrelli pôde contratar os jogadores que queria (e que cabiam no orçamento da equipe), ganhou um preparador físico que veio do Rio de Janeiro, teve à sua disposição uma academia e, com dois meses de pré-temporada, comandou o Vitória até em um torneio preparatório para o campeonato de basquete mais importante do país. Com uma boa preparação, a expectativa era ficar, no máximo, entre os oito melhores. O Vitória ficou entre os quatro, para orgulho do treinador, que recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no estádio do Barradão.

- Uma temporada fantástica. Desde o início, a gente percebeu que era um grupo que se dava muito bem, que se gostava bastante. Quando o grupo não se gosta, não se dá, não dá liga, você pode fazer qualquer coisa, você pode treinar de manhã, de tarde e de noite, que não adianta. Esse time deu liga, se gostou. As coisas foram acontecendo – contou Marrelli.

O Vitória chegou aos playoffs com uma campanha de 16 triunfos e 12 derrotas, na sétima colocação, com aproveitamento de 78,6%. Com mando de quadra, derrotou o Campo Mourão em cinco jogos, o mais emocionante deles, o segundo, convertendo uma cesta de três pontos a poucos segundos do fim da partida . Em seguida, mais cinco jogos para eliminar e dar o troco no favorito Mogi.

Foi um time que se encaixou bem. Tivemos um primeiro turno fantástico. Depois tivemos problema com o Chris Hayes, que ficou muito tempo ausente, inclusive vai ter que fazer uma cirurgia no joelho. Ele jogou com o menisco totalmente cortado. Então, acabou que caímos um pouco no segundo turno. Contra o Campo Mourão, nós tivemos muitas dificuldades no playoff, mas conseguimos passar. E contra o Mogi nós tivemos o nosso auge, ganhar de um time como o Mogi, que a cidade é apaixonada por basquete. Eu sei porque sou de lá, eu sou mogiano. Muito legal – revelou Marrelli.

O golpe veio nas semifinais. O Vitória fez três jogos equilibrados contra o Paulistano, mas perdeu todos e deu adeus ao sonho de disputar o título. A eliminação, da forma como foi, com três derrotas, incomodou o técnico Régis Marrelli, que admite estar 50% satisfeito e 50% frustrado.

- [Está mais satisfeito ou frustrado?] Meio a meio? Acho que é meio a meio. Eu acho que o Paulistano, na minha cabeça, não sei o que vai acontecer, não torço por ninguém, mas acho que Paulistano e Pinheiros vivem o melhor momento. E basquete é muito momento. Quando você chega no playoff, é muito importante você chegar bem. Nós chegamos contra o Campo Mourão, tivemos muitas dificuldades, e o time realmente cresceu. Mas eu acho que os times que mais cresceram foram Paulistano e Pinheiros. Acho que perder do Paulistano não é problema. O que incomoda é da forma que foi, um 3 a 0. Acho que não foi merecido, pelo que o time fez e pelos três jogos. No último jogo, várias vezes a bola escorregou da mão, o jogador escorregou, o Dawkins escorregou no último lance, a bola saiu de dentro do aro, errando bola fácil. Então a gente teve várias situações para poder ganhar, pelo menos trazer um quarto jogo aqui para Salvador, para ter mais um momento do basquete aqui, seria muito legal. Mas estou contente também. Meio a meio. Acho que 50% é o jeito que estou hoje – confessou o treinador, que acredita que o Pinheiros passará pelo Bauru e fará a decisão contra o Paulistano.

O Vitória subiu de patamar, cresceu mais do que o esperado em apenas duas temporadas e hoje figura entre as principais equipes de basquete do país. A cobrança, é claro, vai aumentar, por isso será preciso montar um grupo ainda mais forte, sobretudo porque o time vai enfrentar uma competição internacional, a Liga Sul-Americana de basquete, que tem como atual campeão o Mogi.

Para os clubes brasileiros, é “final de ano”, hora de sentar para avaliar resultados e planejar a próxima temporada. Régis Marrelli quer novamente fazer parte desse processo, porém revela que ainda não conversou com os dirigentes da franquia sobre uma renovação de contrato.

- [Deseja renovar?] Por mim, sem dúvida nenhuma. Agora é o final do ano nosso, é o momento de renovação, o momento de saber a verba que tem, de fazer avaliação do time. Tem jogadores que podem ter uma proposta muito superior e podem sair. Isso tem que ser feito agora. Até o dia 31 de maio todo mundo tem contrato. A gente espera que, até o final do mês, a gente tenha um posicionamento, para poder começar a planejar. Mas, como falei, agora que a gente tem uma liga internacional, que o time está num momento desse, é claro que eu não quero sair. Eu ajudei a construir e, na hora de comer o bolo, eu vou embora? Lógico que não. Mas a gente depende de uma série de coisas - garantiu.

O treinador explica que, caso permaneça, a ideia é manter a base da equipe e reforçar para a próxima temporada.

- A ideia é manter a base e reforçar. A gente quer mais e a gente sabe que precisa de mais, porque tem que estar com um time extremamente competitivo. Conseguir aí, quem sabe, uma verba a mais, remanejar uma situação para continuar com uma equipe forte e mais forte ainda – avisou.

Vice-campeão do NBB com o São José, o sonho de Régis Marrelli é ser campeão do principal torneio de basquete do país. E ele espera que seja com o Vitória.

- Eu sou vice-campeão do NBB. Em 2011/12, perdemos para Brasília a final. Espero ser campeão ainda do NBB. Esse é meu sonho e espero que seja no Vitória – declarou.

Palpite na NBA

Agora que tem tempo livre, Régis Marrelli pode acompanhar os playoffs da NBA, coisa que não conseguiu enquanto esteve envolvido nos jogos decisivos pelo Vitória. O treinador aproveitou para dar o seu pitaco. Embora torça pelo San Antonio Spurs, por ser fã do técnico Gregg Popovich, ele acredita que o Golden State Warriors será o campeão da principal liga de basquete do mundo.

- Sou suspeito aí, porque sou fã do Popovich, que, para mim, é o melhor técnico do mundo. É o único time da NBA que joga com uma estrutura de basquete muito parecida com o europeu, com o estilo sem ser NBA. NBA é muito individualismo. E o San Antonio não joga assim. É um time muito legal de se assistir. Por outro lado, o Golden State é o “small ball”, que a gente fala, aquele time com quatro ou cinco [jogadores] pequenos, sem ter um “pivozão”. Mas é um time de muito volume de jogo, todo mundo chega chutando, totalmente o contrário do San Antonio. Mas, se você for olhar jogador por jogador, o Golden State é o mais forte não só para essa final de conferência [Oeste], mas é o melhor time da NBA. E o Cleveland [Cavaliers, time de LeBron James] tem um cara que não precisa falar nada. Eles vão jogar com o Boston [Celtics] agora, e o Isaiah Thomas, que é um armador muito pequenininho, está dando um show à parte. Mas eu acho que o Cleveland... Quem tem Lebron acho que tem meio caminho andado, então acho que deve ser, na minha leitura, apesar de torcer pelo San Antonio, acho que vai ser Golen Stat e Cleveland na final, e eu acho que o Golden State leva - encerrou Régis Marrelli. 

 

 

 

 

 

Fonte: GloboEsporte

Crédito Foto: GloboEsporte 

Tags: Feliz , frustrado, contrato, Marrelli, sonha , título , Vitória
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